
Recebi, alguns dias atrás, de um amigo dileto o seu livro “Poemas da Finitude”, de circulação restrita a amigos e familiares.
Abrindo-o, fui diretamente ao índice, como é meu hábito ao ver um livro novo, para ter uma ideia geral do seu conteúdo. Ao fazê-lo, vi que ali estava um poema, “72 anos de namoro” de fina sensibilidade amor e carinho, que a mim me falou de perto ao coração, pois tenho um namoro de 74 anos com uma menininha de treze anos de idade, indo eu a iniciar meus quinze, com os problemas de saúde da idade hoje provecta.
Conhecendo o poeta há mais de 60 anos, profissionalmente sempre próximos na luta pelo direito e pela justiça, sempre a seu lado como como jurisconsulto de primeira grandeza que é nesses dias conturbados, tenho presente em minha mente seu amor por sua esposa, Ruth, a quem após a missa da alvorada, ao chegar em casa , sentado em sua mesa de trabalho, expressava , em poemas como ainda hoje diariamente faz, estando ela agora junto de DEUS , seu sentimento de afeto .
Lí, e com os olhos marejados de lágrimas, voz embargada, declamei, para as paredes de meu escritório e para minha Olívia, gatinha que em meu leito repousa, e com seu miado me desperta todas as manhãs, o poema que agora transcrevo:
“72 ANOS DE NAMORO"
São anos setenta e dois
Que comecei meu namoro
E foi somente depois
Que casamos com decoro.
Minha vida foi de encanto,
Contigo sempre do lado,
Eu te cantei no meu canto,
Todo o meu tempo passado.
E quando Deus, que me deu
A beleza de te amar,
Te levou, nunca morreu
No coração o teu olhar.
A saudade eu a compenso,
Na certeza que algum dia,
Te reverei sendo imenso
O que terei de alegria.
A você, AMIGO, o abraço e a certeza de que, se a finitude existe para nossa terrena existência, junto a DEUS, com devoção, estaremos sempre com o amor de nossas vidas.
Parabéns, IVES GANDRA DA SILVA MARTINS, feliz de ver que seus recentes poemas integrar-se-ão ao seu já magnifico legado à sensibilidade de nossos corações.